domingo, 5 de abril de 2026

Antes de tudo...

 Antes de tudo...


Antes de tudo, Deus estava recolhido em si mesmo.

Mas, num ato contínuo de Amor, Ele se abre —

expandindo, a partir de Si, todo o Universo.

O Universo é Deus expandido em forma de Amor.


A Abertura é esta ação divina de abrir a si mesmo.

Toda a Vida, como a conhecemos, é manifestação desta abertura e expansão.

Fechar-se é tentar conter a Vida — e a Vida não pode ser contida.


Com a Abertura, surge a respiração.

É por ela que a Vida entra em nós... e sai de nós.

Se a respiração cessa, a Vida se retrai.


Viver é permanecer aberto.

Respirar é participar do sopro que criou o mundo.

A Abertura é o gesto contínuo de receber a Vida

e de criar vida a partir dela.



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O Movimento


Da Abertura nasce o Movimento.

O Amor, ao expandir-se, põe-se em fluxo.

Tudo vibra, tudo respira, tudo se transforma.


O Movimento é o sopro da Criação —

o ir e vir que sustenta o ser.

É o Amor em ação, o desejo divino de conhecer-se em forma.


Quando o movimento interno se alinha ao ritmo da Vida,

a existência se harmoniza.

Tudo o que se move em Amor

encontra o caminho de volta à fonte.



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O Silêncio


O Silêncio é o intervalo em que não existe o fora nem o dentro.

É o descanso do Movimento contido no próprio movimento.

Sem Silêncio não há encontro consciente com o Eu de onde tudo se originou.

O Silêncio é o tempo sem tempo.



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A Contemplação


O Movimento alinhado e o Silêncio revelador

são expressões puras da Vida.

Ambos são ações em harmonia com o fluxo divino.


Uma forma perfeita de alinhamento com a Vida

é o estado de Contemplação.

Contemplar é ser testemunha da Abertura,

do Movimento e do Silêncio sagrados.


O Amor em nós reconhece, na Contemplação,

o Amor divino manifestado em tudo como Beleza.

E, a partir dessa visão amorosa,

ressoa a forma perfeita de existir —

como Deus, na gênese, reconhece

que tudo o que criou é bom.


Tudo o que criamos em estado de Amor é bom.

Tudo o que nasce desse estado é belo.

Contemplação é este estado amoroso —

onde o olhar e a criação se tornam um só ato.


Adnan Brentan

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